Imagens eclipse total do Sol – Março 2015

O Eclipse teve o seu início às 7h47, com máximo previsto para as 8h48 e término às 9h48. Nas ilhas Faroé, o eclipse foi total durante cerca de 2 minutos. Na Madeira, a ocultação máxima prevista foi de 57%. A AAAM registou imagens do evento pela objectiva do Duarte Silva, em Gaula, no posto de observação colocado para o efeito.

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Eclipse total do Sol Março 2015 – Posto de observação do Cais

O eclipse total do Sol (parcial na Madeira) foi acompanhado pela AAAM e GAUMa em diversos pontos de observação – Cais da Cidade, Terraço da Universidade da Madeira, Escola B+S Gonçalves Zarco, Gaula (estação de astrofotografia) e Escola B+S do Porto Santo. Apesar da meteorologia indicar pouca manobra para as observações, salientamos a coragem de algumas dezenas de pessoas e alunos que compareceram logo pela manhã no Cais do Funchal.

O Eclipse teve o seu início às 7h47, com máximo previsto para as 8h48 e término às 9h48. Nas ilhas Faroé, o eclipse foi total durante cerca de 2 minutos. Na Madeira, a ocultação máxima prevista foi de 57%. A AAAM está a preparar a publicação das imagens do eclipse, entretanto ficam os registos da observação no posto do Cais do Funchal.

Astronomia no Porto Santo 2014

Decorreu na ilha de Porto Santo as habituais sessões de observação dos astros. Integradas na Astronomia no Verão, a edição de 2014 – com observações a 2 e 3 de Agosto – foram realizadas no Miradouro do Moinho, a 5 min do centro da vila, um local mais sossegado, escuro e com melhores condições que a ponta final do cais Velho.

Ambas sessões foram acompanhadas pela Prof. Maria José Vital, acompanhada pelo robusto Mizar TAL-1 que surpreende pela qualidade óptica, um verdadeiro “todo o terreno” para quem se inicia na Astronomia. Foram realizadas pequenas palestras sobre o funcionamento dos diversos tipos de telescópios, montagens e óptica e noções sobre a localização de constelações e objectos na abóbada celeste. Infelizmente, ambas sessões foram pautadas pela nebulosidade e alguma chuva, mas no último dia de observações foi possível registar a observação da lua e de Saturno e algumas constelações.

Ficam as habituais imagens:

Conferência com Hans Gerritsen

Decorreu no passado dia 3 de Julho, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal, a conferência de Apresentação do projecto da AAAM para a instalação de um telescópio definitivo na zona do Pico do Arieiro.

O astrónomo Hans Gerritsen, do concórcio NiMAX, falou sobre as várias possibilidade de instalação de equipamentos de observação, assim como nas fases necessárias do projecto, tipo e dimensão da cúpula entre outros detalhes de índole técnico.

Ficam algumas imagens:

ISON em Dezembro

O céu não espera por nós, mesmo no nosso calmo sistema solar de meia-idade. Sem os olhos postos nas estrelas nocturnas, sem as fotografias diárias dos telescópios, o cometa C/2012 S1 poderia ter passado despercebido e desaparecer nos confins do nosso quintal cósmico, de onde é originário. Mas este pequeno agregado de gelo e poeiras foi descoberto a 21 de Setembro de 2012, pelos astrofísicos russos Vitali Nevski e Artyom Novichonok. Desde então, calculou-se a sua órbita, estimou-se o seu tamanho e especulou-se muito sobre o espectáculo que iria originar no céu. O cometa vai rasar o Sol, atingindo a sua aproximação máxima amanhã, mas pode desfazer-se em vários pedacinhos, diminuindo a probabilidade de ser observável a olho nu. É preciso esperar para ver.

 

 

“Muitos cometas têm uma órbita semelhante ao plano da eclíptica, o plano em que os planetas giram em redor do Sol”, explica ao PÚBLICO Rui Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa, e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Estes cometas têm órbitas mais próximas, as suas viagens demoram em média 200 anos. Não é o caso do C/2012 S1. “Não está na família dos planetas jovianos. Está no grupo de cometas com períodos orbitais na ordem dos milhares de anos”, diz o astrónomo.

No caso de ISON, o nome informal que foi dado a este cometa por ter sido descoberto por uma equipa que pertencia à Rede Óptica Científica Internacional, com sede na Rússia (ISON, sigla em inglês), o seu período orbital terrestre é de quase 401 mil anos (400.903, para se ser mais exacto). “Quando ele voltar, se calhar a humanidade já nem existe”, repara Rui Agostinho.

O cometa pertence à nuvem de Oort, uma região na extremidade do sistema solar onde existem milhares de milhões de objectos congelados, a qualquer coisa como entre 50.000 e 100.000 unidades astronómicas (a unidade astronómica é a distância média entre o Sol e a Terra, que é cerca de 150 milhões de quilómetros).

A nuvem de Oort situa-se muito além da órbita de Neptuno ou da cintura de Kuiper, uma cintura de objectos transneptunianos onde se insere Plutão, e que está, por comparação, a apenas 50 unidades astronómicas. Mas os objectos que pertencem à nuvem de Oort ainda estão sob o poder gravítico do Sol, e por isso ainda pertencem ao nosso sistema solar. De vez em quando, um destes objectos salta da calma distante desta região e mergulha até ao centro do sistema solar. Com um pouco de sorte, os astrónomos, com a ajuda dos telescópios, encontram esse cometa. Foi o que aconteceu ao ISON. “É uma descoberta fortuita”, diz Rui Agostinho.


O núcleo de um cometa é uma amálgama de gelo e poeira, não muito consolidada, que pode ter formas estranhas como a de uma batata ou a de um amendoim. Normalmente, o núcleo não tem mais do que alguns quilómetros de diâmetro. As partículas desta poeira raramente atingem a proporção de grãos de areia, pois costumam ser tão pequenas como as partículas libertadas no fumo do tabaco. São feitas de silicatos, o material que resta da nébula original do sistema solar, que ficou aprisionado nestes pedaços de gelo. É, assim, idêntico ao material que ajudou a formar os planetas e as luas no começo da história do sistema solar e, por isso, um alvo interessante de estudo para os cientistas.

O núcleo do cometa ISON tem, estima-se, um diâmetro entre os 200 metros e os quatro quilómetros. Esta amplitude é inferida a partir da quantidade de material que está a libertar-se à volta do núcleo. Ao aproximar-se do Sol, o aumento da temperatura causa a sublimação do gelo, que passa directamente do estado sólido para o gasoso, criando uma nuvem em volta do núcleo chamada cabeleira. Esta cabeleira pode atingir 100.000 quilómetros de diâmetro, tornando possível a observação do cometa.

O fenómeno que produz a cauda é outro. “A cauda é a interacção da cabeleira com a luz solar, que empurra a poeira para longe”, explica Rui Agostinho. Os fotões, as partículas corpusculares que compõem a luz que atingem a Terra, empurram as partículas da cabeleira ao longo de milhões de quilómetros, produzindo a cauda que, ao contrário do que se possa pensar, não é um rasto deixado pelo cometa.

A sublimação contínua de gelo vai permitir a libertação de poeiras contidas no cometa. No caso do ISON, a sua trajectória é muito particular. Consiste numa órbita elíptica apertada, que se aproxima do centro do sistema solar por baixo do plano da eclíptica, depois aproxima-se do Sol e dá-lhe uma volta e regressa para os confins da nuvem de Oort. É quando está a regressar para a sua casa longínqua, alguns dias depois de ter “raspado” o Sol, que o cometa se torna visível à vista desarmada no hemisfério Norte. Mas a experiência de aproximação ao Sol pode correr mal.
 
Ou vai ou racha
Quando amanhã fizer a apertada curva ao Sol, atingindo o periélio, o cometa vai ficar a apenas 1,5 milhões de quilómetros da nossa estrela, o que é cerca de quatro vezes mais próximo do que está Mercúrio. E a força gravítica a que o cometa vai ser submetido durante a curva acelerada em redor do Sol pode ser de mais para este corpo. “O núcleo é composto por gelo que está sujo de poeira, não tem nenhuma cola que o segure”, explica Rui Agostinho. “Pode não aguentar e desagregar-se. A probabilidade disso acontecer é grande.”

No site da NASA que acompanha diariamente a situação do cometa, o post mais recente, de segunda-feira, alertava para uma diminuição acentuada da emissão de gases, substituída por um grande aumento da produção de pó. No site, defendia-se que isto podia ser um sinal de desintegração do cometa.

Rui Agostinho tem reservas. “Isto indica a tal estrutura muito amorfa. O núcleo do cometa não é uma estrutura homogénea de gelo e poeira.” Ou seja, pode haver uma região com mais poeira e menos gelo, originando estas leituras descritas no site. “Ninguém pode confirmar se o cometa se está a desintegrar, isso só pode ser observado por telescópio, quando forem vistos dois núcleos.”

Se o cometa se desintegrar, os resultados não serão muito famosos para o espectáculo que muitos desejavam. “A soma do brilho de cada pedacinho é menor do que o brilho do núcleo inteiro”, diz Rui Agostinho, explicando que, caso a desintegração aconteça, os minicometas que restarão e as suas respectivas caudas só poderão ser vistos ao telescópio.

Se tudo correr bem na visita do cometa ao Sol, há mais possibilidades de ser visível também em Portugal. Inicialmente, vistos a partir da Terra, o cometa e o Sol estarão demasiado próximos para se distinguirem. Mas de dia para dia, o ISON ficará cada vez mais distante do Sol, melhorando as observações.

O melhor período para ver o cometa será durante a primeira quinzena de Dezembro. Quem quiser fazê-lo terá de se levantar antes do nascer do sol e olhar para Leste, por cima do local onde o Sol irá aparecer. No início, estará muito perto do horizonte. Mas à medida que os dias passarem, o cometa surgirá cada vez mais alto no céu, ainda que com menos brilho, já que se afasta do calor do Sol. A 26 de Dezembro, passará mais perto da Terra, sem qualquer perigo de colisão.

Rui Agostinho não está muito crédulo em relação ao espectáculo que o cometa poderá proporcionar. “Para já, não estou muito entusiasmado. Com o telescópio, vê-se bem e os binóculos podem ajudar. O pior é se o cometa se transformar em fragmentos. Vamos ver.”

Resta assim esperar para ver o que o céu oferece, e tentar, numa das próximas madrugadas, apanhar ISON entre as estrelas. Depois, o cometa seguirá a sua viagem, para nunca mais ser visto pelos actuais habitantes da Terra.

Fonte: Público